Laurez contradiz anúncio de Irajá e expõe crise no PSD: “Para Ivonete ser candidata, Irajá tem que desistir”

A construção da chapa majoritária do PSD para as eleições de 2026 ganhou um novo capítulo de tensão nesta terça-feira, 7, e evidenciou um conflito interno que pode dificultar a consolidação da aliança liderada pelo vice-governador e pré-candidato ao Governo do Tocantins, Laurez Moreira.

No fim da tarde, minutos após o fim da entrevista coletiva concedida pelo senador Irajá Abreu, Laurez fez declarações que colocaram em dúvida o anúncio da servidora Ivonete Lima como pré-candidata ao Senado. A coletiva de Irajá ocorreu sem a presença do presidente estadual do PSD, fato que já havia chamado atenção nos bastidores políticos.

Durante o evento, Irajá apresentou uma chapa considerada “puro-sangue” do PSD e anunciou Ivonete Lima como a primeira mulher a disputar uma vaga ao Senado pelo grupo. A composição, entretanto, esbarra em um acordo político firmado anteriormente.

Em entrevista ao Portal Stylo, Laurez foi direto ao comentar o anúncio. “Para Ivonete ser candidata, Irajá tem que desistir.”

A declaração indica que, na avaliação do presidente estadual da legenda, a candidatura de Ivonete somente seria viável caso Irajá abrisse mão de disputar a reeleição ao Senado, já que as duas vagas da chapa majoritária estariam comprometidas.

O impasse ocorre porque uma das candidaturas ao Senado já havia sido negociada com o Partido dos Trabalhadores. A legenda anunciou anteriormente o ex-prefeito de Porto Nacional, Paulo Mourão, como seu pré-candidato dentro da aliança construída em torno da candidatura de Laurez ao Governo.

Ao Portal Gazeta do Cerrado, Laurez endureceu ainda mais o discurso ao defender o cumprimento dos compromissos políticos firmados. “Sou homem de uma palavra só.”

A frase foi interpretada nos bastidores como um recado de que o acordo celebrado com o PT permanece válido e não deverá ser alterado para acomodar uma nova composição apresentada unilateralmente.

Crise pública

O episódio expôs publicamente uma divergência que até então permanecia restrita às articulações internas. O fato de o anúncio ter sido feito sem a participação do presidente estadual do partido e de Laurez contestá-lo poucas horas depois reforça a percepção de falta de alinhamento entre as principais lideranças do PSD no Tocantins.

Além do desgaste interno, o episódio abre uma nova frente de incertezas para a composição da chapa majoritária. Caso o entendimento com o PT seja mantido, o espaço para uma segunda candidatura ao Senado dependeria de uma redefinição da estratégia de Irajá Abreu, hoje apontado como pré-candidato à reeleição.

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