A escolha de César Halum para coordenar a pré-campanha presidencial de Ronaldo Caiado no Tocantins representa mais do que uma função partidária. O movimento cria um novo ponto de força dentro do PSD tocantinense e coloca o partido diante de uma questão que deverá crescer até as convenções: como reunir, no mesmo espaço político, lideranças que trabalham por projetos presidenciais diferentes?
O ex-deputado federal César Halum foi anunciado na terça-feira, 14 de julho, como coordenador da pré-campanha de Caiado no Estado. A confirmação ocorreu durante uma coletiva em Palmas, com mensagens em vídeo do pré-candidato à Presidência e do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Halum, que também se apresenta como pré-candidato a deputado estadual, ficará responsável por organizar as conversas políticas, aproximar lideranças regionais e ampliar a presença do projeto de Caiado no Tocantins.
Grupo deverá reunir diferentes setores
Durante o anúncio, Halum informou que pretende formar um grupo com representantes de vários setores da sociedade. A expectativa é de uma participação importante de produtores rurais e lideranças ligadas ao agronegócio, área na qual Halum mantém atuação e relações políticas construídas ao longo de sua trajetória pública. O ex-deputado também evitou entrar diretamente nas disputas internas do PSD tocantinense. Ao comentar as diferenças entre os grupos do partido, indicou que sua missão está concentrada na organização da pré-campanha presidencial.
Essa posição permite que Halum busque espaço sem anunciar confronto com o vice-governador Laurez Moreira ou com o senador Irajá. Porém, mesmo sem rompimento público, a nova função muda o equilíbrio dentro da legenda.
PSD passa a abrigar projetos diferentes
No Tocantins, Laurez Moreira trabalha para confirmar sua candidatura ao Governo do Estado com o apoio do PT. A direção petista decidiu apoiar o projeto do vice-governador e construir no Estado um palanque para a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O acordo também colocou o ex-deputado Paulo Mourão entre os nomes discutidos para a disputa ao Senado. O senador Irajá, por sua vez, participa das conversas sobre a formação da chapa estadual e declarou apoio à aliança com o PT e ao projeto de reeleição de Lula.
Enquanto esse grupo se aproxima do presidente da República, Halum assume a missão de organizar no Tocantins o palanque de Ronaldo Caiado, adversário do projeto petista na disputa nacional. Na prática, o PSD passa a conviver com dois caminhos presidenciais dentro do mesmo Estado. Isso não representa, até o momento, um rompimento formal. Também não existe anúncio de mudança na direção estadual do partido. O que existe é uma divisão de posições que poderá provocar novas disputas quando as lideranças precisarem decidir sobre alianças, candidaturas, recursos e participação nos palanques.
Halum ganha espaço próprio
A coordenação da pré-campanha de Caiado também fortalece o projeto eleitoral do próprio César Halum.
Como pré-candidato a deputado estadual, ele passa a circular não apenas como um nome interessado em uma vaga na Assembleia Legislativa, mas como representante de um projeto presidencial apoiado pela direção nacional do PSD. Isso pode ampliar sua presença entre prefeitos, vereadores, empresários e produtores rurais que se identificam com a centro-direita, mas ainda não encontraram espaço dentro da aliança formada por PSD e PT no Tocantins. Halum poderá se tornar uma espécie de ligação entre Caiado e esse grupo político. No entanto, coordenar a pré-campanha presidencial não significa assumir o controle do PSD no Estado. A direção partidária e a montagem da chapa tocantinense continuam dependendo das decisões formais da legenda e das negociações conduzidas pelas lideranças estaduais.
Desafio para Laurez
Para Laurez Moreira, a presença de um palanque de Caiado dentro do próprio partido cria um desafio de comunicação. O vice-governador tenta reunir forças políticas de diferentes posições para sustentar sua candidatura ao Palácio Araguaia. A aliança com o PT amplia seu espaço, mas também pode afastar lideranças de centro-direita que não desejam apoiar Lula. A entrada de Halum oferece uma alternativa a esse grupo sem obrigá-lo, neste primeiro momento, a deixar o PSD. Os adversários de Laurez poderão usar essa situação para questionar qual será o posicionamento nacional de sua candidatura. O risco político é transmitir a imagem de um projeto que tenta caminhar em direções diferentes ao mesmo tempo.
Estratégia de Kassab preserva vários caminhos
A escolha de Halum também mostra a forma como Gilberto Kassab administra o PSD. A direção nacional mantém o apoio ao projeto de Laurez no Tocantins, permite a aproximação estadual com o PT e, ao mesmo tempo, garante uma estrutura para Ronaldo Caiado. Com isso, o partido evita perder espaço em qualquer um dos campos. Laurez continua trabalhando pela candidatura ao Governo. Irajá tenta preservar influência na montagem da chapa. Halum passa a organizar a presença de Caiado. Kassab mantém diálogo com todos. Essa convivência pode funcionar durante a fase de pré-campanha. O cenário ficará mais difícil quando o partido precisar transformar conversas em decisões oficiais.
Convenções serão o primeiro teste
A convenção estadual do PSD está marcada para 20 de julho, em Palmas, e deverá tratar das candidaturas do partido para as eleições de 2026. O encontro será um primeiro teste para a capacidade de conciliação da legenda. Até lá, Halum deverá avançar na formação de seu grupo, enquanto Laurez e Irajá continuarão trabalhando na composição estadual. O principal ponto de atenção será observar se os projetos continuarão separados ou se começarão a disputar espaço dentro da mesma estrutura. Por enquanto, não há elementos suficientes para afirmar que existe um racha formal no PSD tocantinense. Há, porém, uma clara diferença de caminhos. A escolha de Halum fortalece Caiado, amplia a presença da centro-direita dentro do partido e cria uma nova posição de poder no cenário estadual. O PSD ainda permanece sob o mesmo teto no Tocantins, mas seus principais líderes já começam a olhar para palanques diferentes.









