O que deveria ser um período de descanso, lazer e encontro entre famílias passou a exigir atenção redobrada no Tocantins. Nos primeiros dias de julho de 2026, cinco pessoas morreram em quatro ocorrências envolvendo afogamentos e uma colisão entre embarcações. Os casos aconteceram nos municípios de Peixe, no sul do estado, e Buriti do Tocantins, no Bico do Papagaio. A sequência de mortes provocou comoção e acendeu um alerta para banhistas, pais, responsáveis, barqueiros e condutores de embarcações. Mais do que lamentar as vítimas, o momento exige uma mobilização coletiva para evitar que novas famílias sejam atingidas.

Colisão entre embarcações deixou uma vítima em Peixe

A primeira ocorrência foi registrada no dia 4 de julho, no Rio Tocantins, em Peixe. Cláudio dos Santos Souza, de 40 anos, morreu após uma colisão envolvendo duas embarcações. Segundo informações repassadas pelas autoridades, uma embarcação com quatro pessoas atingiu uma canoa que transportava materiais próximo à margem do rio.

Cláudio sofreu ferimentos, chegou a ser levado ao hospital do município, mas não resistiu. A Marinha do Brasil abriu um inquérito para apurar as circunstâncias, as causas e possíveis responsabilidades pelo acidente. Até a conclusão da investigação, não é possível atribuir culpa aos envolvidos. O episódio também reforça o alerta sobre a necessidade de reduzir a velocidade perto das praias, respeitar a capacidade das embarcações e manter equipamentos de segurança disponíveis para todos os passageiros.

Criança foi arrastada pela correnteza

Poucos dias depois, Peixe voltou a registrar uma tragédia. Sofia Bispo da Silva, de 8 anos, desapareceu no dia 8 de julho enquanto tomava banho no Rio Tocantins, nas proximidades da Praia da Tartaruga. Segundo as informações divulgadas, a menina foi arrastada pela correnteza. Familiares ainda tentaram ajudá-la, mas ela desapareceu nas águas.

O corpo foi encontrado no dia seguinte por pescadores, nas proximidades da balsa do Trevo da Praia. De acordo com o Corpo de Bombeiros, Sofia foi localizada a cerca de 90 quilômetros do ponto onde ocorreu o afogamento. O caso mostra como a aparência tranquila de um rio pode esconder riscos. Correntezas, buracos, mudanças repentinas de profundidade e bancos de areia podem surpreender até quem conhece a região. Quando há crianças, a atenção precisa ser permanente. Não basta observar de longe. A orientação é que pais ou responsáveis permaneçam próximos e mantenham a criança ao alcance das mãos.

Tentativa de salvamento terminou com duas mortes

Na Praia do Tição, em Buriti do Tocantins, duas pessoas morreram no dia 9 de julho. Henrique Gabriel Morais Monteiro, de 15 anos, entrou no rio para tentar recuperar uma bola e acabou sendo surpreendido pela força da água. Wenes Pereira da Silva, de 37 anos, entrou no rio para tentar salvá-lo, mas também foi arrastado. Henrique ainda foi retirado da água e levado ao Hospital Municipal de Buriti do Tocantins, mas não resistiu. Wenes foi encontrado posteriormente, já sem vida. As idades foram confirmadas pela Secretaria da Segurança Pública como 15 e 37 anos. A ocorrência traz outro alerta importante: uma tentativa de salvamento sem equipamento ou preparo pode aumentar o número de vítimas.  Ao perceber alguém se afogando, a recomendação é acionar o Corpo de Bombeiros pelo número 193 e tentar oferecer algum objeto flutuante, corda, galho ou apoio que possa ser lançado da margem. Entrar diretamente na água deve ser evitado por quem não possui treinamento.

Policial penal morreu na Praia do Elias

No domingo, 12 de julho, o policial penal Alessandro de Souza Rodrigues, de 32 anos, morreu após desaparecer no Rio Tocantins, na região da Praia do Elias, em Peixe.

Testemunhas informaram ao Corpo de Bombeiros que ele nadava em um trecho raso, mas entrou em uma área mais profunda, submergiu e não retornou à superfície.

As buscas foram realizadas com embarcação e motos aquáticas. O corpo foi localizado horas depois por moradores, em uma região de ilhas próxima a um rancho.

Alessandro trabalhava na Unidade Penal de Gurupi. A morte foi lamentada por colegas, familiares e entidades ligadas à categoria. As circunstâncias do afogamento devem ser apuradas pelas autoridades.

Cinco mortes e um alerta para todo o estado

As quatro ocorrências não possuem necessariamente ligação entre si. Também não há, até o momento, elementos suficientes para atribuir as mortes a uma única causa ou a uma falha comum na organização das praias. Mas os números revelam um cenário preocupante. Entre os dias 4 e 12 de julho, cinco pessoas morreram em ambientes aquáticos no Tocantins:

  • Uma vítima em colisão entre embarcações;
  • Uma criança arrastada pela correnteza;
  • Duas vítimas em um afogamento durante tentativa de salvamento;
  • Um homem que desapareceu após entrar em uma área mais profunda.

O balanço considera os casos confirmados nesta apuração até 15 de julho. Não se trata de um levantamento oficial definitivo de toda a temporada.

Mobilização precisa envolver poder público e população

A prevenção não pode ser responsabilidade apenas dos bombeiros ou dos guarda-vidas. Prefeituras, organizadores, comerciantes, barqueiros, famílias e visitantes precisam atuar juntos. Nas praias organizadas, é fundamental manter áreas de banho bem sinalizadas, equipes preparadas, meios de comunicação, acesso para socorro e orientação constante ao público. A Norma Técnica nº 34 do Corpo de Bombeiros do Tocantins estabelece medidas de segurança para praias, balneários e locais semelhantes de acesso público. As regras tratam de sinalização, prevenção, atuação de guarda-vidas e organização das áreas destinadas aos banhistas. Já o visitante precisa compreender que o rio não é uma piscina. A profundidade pode mudar rapidamente e a correnteza pode ser forte mesmo quando a superfície parece calma. O Corpo de Bombeiros também alerta que o consumo de bebida alcoólica aumenta o risco porque reduz a percepção do perigo, prejudica os reflexos e leva o banhista a ultrapassar limites.

Cuidados que podem salvar vidas

Durante a temporada, algumas atitudes precisam se tornar regra:

Crianças devem permanecer sempre próximas dos responsáveis. O colete salva-vidas deve ser utilizado nas embarcações e não apenas carregado como parte do equipamento obrigatório. Banhistas devem respeitar placas, boias e orientações dos guarda-vidas. Também é necessário evitar trechos desconhecidos, áreas fora da faixa de banho e locais próximos à passagem de embarcações. Quem consumir bebida alcoólica não deve nadar nem conduzir barcos. Condutores precisam reduzir a velocidade perto das praias, verificar as condições da embarcação e respeitar o limite de passageiros. Ao presenciar um afogamento, a pessoa deve chamar ajuda e evitar entrar na água sem treinamento. O número do Corpo de Bombeiros é 193.

Diversão não pode substituir responsabilidade

A temporada de praias movimenta cidades, gera renda e faz parte da cultura do Tocantins. Milhares de pessoas aproveitam o mês de julho para visitar rios, ilhas e praias de água doce. Mas a segurança precisa acompanhar essa movimentação. Cada placa respeitada, cada criança acompanhada, cada colete utilizado e cada embarcação conduzida com responsabilidade pode impedir uma nova tragédia. A temporada deve continuar sendo lembrada pelos encontros, pela alegria e pelo lazer — não pela quantidade de famílias que voltaram para casa carregando uma perda. Nos rios do Tocantins, cuidado não limita a diversão: cuidado é o que permite que todos retornem vivos para casa.me f